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Lixeira de Hulene em Maputo vai continuar a poluir até os próximos três anos
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Vida e Lazer - Ambiente
Escrito por Intasse Sitoe  em 13 Abril 2015
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O encerramento da lixeira de Hulene, que está na origem do descontentamento dos habitantes que se encontram ao redor da mesma, em resultado de estar a causar uma morte lenta decorrente da proliferação de um exército inesgotável de ratazanas, moscas e mosquitos que infesta a zona e arredores, ainda vai demorar pelo menos três anos, segundo a edilidade de Maputo, que de ano em ano tem avançado novas datas para a sua “eliminação”, mas na prática nada acontece.

Na última quinta-feira (09), num encontro que tinha como fim a apresentação dos resultados preliminares sobre o estudo de impacto socioeconómico para o encerramento do maior e único depósito de lixo na capital moçambicana, mas já sem espaço para acolher mais detritos, Florentino Ferreira, vereador de Salubridade e Cemitérios no município de Maputo, disse que ainda não há dinheiro para a construção do novo aterro sanitário no bairro de Matlhemele, na Matola. Contudo, as obras vão durar entre 18 e 24 meses quando arrancarem.

Assim, os munícipes, que pagam impostos para usufruírem de uma vida com qualidade, mas não é o que acontece, continuarão sujeitos a respirar um ar impuro contaminado pelo fumo resultante da queima indiscriminada de resíduos sólidos. Em 2013, depois de muitas promessas também falhadas, o município de Maputo e o Fundo do Ambiente (FUNAB) encheram os moradores daquele bairro de esperança, anunciando encerrar definitivamente o espaço. Outra vez, nada aconteceu! Doenças tais como a malária e as diarreias, as quais já não constituem novidade localmente, prevalecem.

Naquele ano, Júlio Parruque, técnico do FUNAB, explicou a um jornal da praça que tinha sido rubricado um memorando de entendimento entre o Governo moçambicano e os sul-coreanos, os quais prometeram disponibilizar cerca de 60 milhões de dólares para a construção de um aterro sanitário para os municípios de Maputo e Matola. Previa-se que no princípio de 2014 fosse assinado o acordo de financiamento, o que não ocorreu.

O estudo acima referido, encomendado pela edilidade, indica que pelo menos 300 pessoas, com mais de 30 anos de idade, mostram-se agastadas porque a sua actividade de busca de resíduos sólidos recicláveis, através da qual asseguram a sua sobrevivência e da sua prol, vai cessar.

Gustavo Dgedge, consultor ambiental, disse que os cidadãos que sobrevivem através deste trabalho considerado prejudicial à saúde são vulneráveis e o seu nível de escolaridade é, no mínimo, a 6ª classe. A sua exposição a doenças tais como malária, diarreia, cólera, entorses, problemas respiratórios, constipação, tosse e gripe é grande. Recomenda-se que a edilidade forme os visados em diversas áreas, tais como carpintaria, mercearia, serralharia e electricidade, bem como em matérias de gestão de resíduos sólidos.

A lixeira de Hulene localiza-se no bairro com o mesmo nome, à berma da Avenida Julius Nyerere. Sem avançar números, Gustavo Dgedge disse que, entre os vários acidentes que decorrem do trabalho em alusão, os atropelamentos são constantes e inúmeras pessoas já perderam a vida. As quedas que, por vezes, resultam em lesões graves são a outra causa, porque os “catadores” de lixo penduram-se nos carros que levam os resíduos sólidos para aquele lugar.

Enquanto isso, Maria Chachuaio, residente no bairro Hulene, exige o encerramento urgente daquele espaço porque este está a causar sofrimento à população e é um foco de imundice. Ela disse que sofre de tuberculose alegadamente devido ao lixo. Há doenças na zona e diversas famílias consideram que as suas vidas estão comprometidas.

“Nas últimas enxurradas passámos mal, vivendo com águas estagnadas nas nossas residências e várias crianças brincam com material hospitalar” depositado naquela lixeira. Outro morador daquele bairro, que responde pelo nome de António Chiluele, afirmou que a lixeira é um autêntico atentado à saúde pública, mormente para os “catadores” de resíduos sólidos e para os habitantes daquela zona.

Enquanto a lixeira não for fechada será quase impossível observar as regras de higiene e haverá sempre enfermos. “A fumaça intoxica e fere a vista. Com o encerramento da lixeira haverá redução da poluição atmosférica, da criminalidade, das moscas e do cheiro nauseabundo”, disse António.

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